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jan 07 2018

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Cigarro com sabor, a estratégia da indústria tabagista para viciar jovens, deve ser proibido no Brasil?

A parte ocidental do mundo travou nas últimas décadas uma gigantesca guerra contra a indústria tabagista e conseguiu reduzir drasticamente o número de jovens fumantes. A proibição da publicidade que fizesse apologia ao fumo foi um dos principais instrumentos nesta guerra, mas ainda não foi capaz de erradicar da mente de parcela significativa da população a imagem do cowboy saudável em seu cavalo desfrutando de um cigarro. Mas a guerra está longe do fim. A inescrupulosa indústria tabagista constantemente renova as estratégias de persuasão de jovens e a arma que utilizam no momento é o CIGARRO COM SABOR. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, a maioria dos jovens já fumou cigarro com sabor. A validade da utilização de tais cigarros será decidida pelo Supremo Tribunal Federal.

A ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – por constatar que a inclusão de aditivos que dessem sabor ao cigarro facilita a iniciação de adolescentes ao vício do cigarro, em 2012, proibiu a o uso dos aditivos nos cigarros comercializados no Brasil.

A validade da proibição do uso de aditivos que deem sabor aos cigarros é objeto de questionamento em ação direta de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. A ADIN é movida por entidades ligadas à indústria tabagista.

A pesquisa da FIOCRUZ, realizada entre 2013 e 2014, ouviu 70 mil estudantes entre 12 e 17 anos, em escolas públicas e privadas, em cidades com mais de 100 mil habitantes. Os resultados comprovaram que o CIGARRO COM SABOR é a nova porta de entrada para o vício em cigarros.

Em uma pesquisa realizada pelo INCA – Instituto Nacional do Câncer – 45% dos fumantes entre 13 a 15 anos consomem CIGARROS COM SABOR.

O uso dos aditivos mascara ou elimina o gosto ruim, a sensação de desconforto, o arranhado na garganta provocados pelo cigarro convencional. Não elimina, todavia, os riscos de câncer e de outros agravos à saúde.

Para alguns especialistas, os CIGARROS COM SABOR ainda são mais prejudiciais do que os cigarros convencionais. Além da nicotina, responsável pela dependência, devido à sua ação no sistema nervoso central, que estimula a liberação de dopamina, provocando uma sensação de bem-estar e reforçando a manutenção do hábito, outras substâncias são acrescidas a estes produtos. Uma das substâncias é o açúcar, que, além de aumentar o potencial de causar dependência, quando inalado, é cancerígeno. Os cigarros de essência de chocolate são broncodilatadores e podem aumentar a absorção da nicotina pelo organismo. Os mentolados têm efeito anestésico e diminuem a irritação na garganta provocada pela inalação da fumaça do cigarro. E os de essência de cravo podem causar hemorragia pulmonar.

As estratégias da indústria tabagista sempre visam a formação de novos consumidores e, portanto, o vício deve ser fomentado entre os jovens. Na Bolívia, a estratégia incluiu a venda de cigarros em pacotes com a pastilha Halls.

Halls e Cigarro

A estratégia de viciar crianças e adolescentes é amplamente aplicada. Os e-cigarros, aparelhos eletrônicos que simulam cigarros e dispensam doses altíssimas de nicotina com sabores de frutas têm cativados e seduzido crianças em vários países.

Não se pode perder de vista que a indústria tabagista é uma das mais inescrupulosas do mundo. Basta lembrar que esconderam, por décadas, os efeitos maléficos do cigarro na saúde pública. São, de forma direta, responsáveis por mais mortes do que as que já foram produzidas em qualquer uma das guerras que já foram travadas ao longo da história. O câncer e os problemas pulmonares provocados pelo cigarro, provavelmente, já atingiram todas as famílias no mundo. Certamente, o leitor conhece alguém que faleceu em decorrência de problemas pulmonares provocados pelo cigarro.

Tendo tal contexto em mente, os organismos que lidam com saúde pública não podem negligenciar a necessidade de se combater o avanço do vício em cigarro entre crianças e jovens. No lugar de permitir novas formas de cooptação de crianças e adolescentes ao vício do fumo, o Estado deveria aplicar políticas de redução do uso de cigarro, até que se chegue ao ponto ideal, de erradicação do uso de cigarros no país.

Em São Francisco, nos Estados Unidos, os CIGARROS COM SABOR e os AROMATIZADOS foram banidos para venda. As restrições de venda não alcançam o uso dos CIGARROS COM SABOR e AROMATIZADOS, mas tornam a aquisição de tais produtos mais difíceis, especialmente para crianças e adolescentes.

É importante destacar que há um consenso mundial a circunstância de se ter a necessidade de banimento não do uso do cigarro, mas do banimento de aditivos que encerram sabores. É um consenso que tem reconhecimento em 176 países, que ratificaram a Convenção de Controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde – OMS.

No Brasil, apesar dos efeitos prejudiciais à saúde, a Ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, concedeu uma liminar pedida pela Confederação Nacional da Indústria para suspender a Resolução 14/2012, que proibia a fabricação e a venda de cigarros com sabor artificial. O julgamento do mérito deve acontecer em 2018 e é de alta relevância, pois trará impactos na saúde pública das próximas gerações.

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Os cigarros com sabor devem ser proibidos no Brasil?

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