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mai 13 2018

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Meio ambiente: Nove em cada dez pessoas em todo o mundo respiram ar poluído

Os níveis de poluição do ar permanecem perigosamente altos em muitas partes do mundo. Novos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que nove em cada 10 pessoas respiram ar contendo altos níveis de poluentes. Estimativas atualizadas revelam um número alarmante: sete milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência da poluição em ambientes exteriores e interiores.

“A poluição do ar ameaça a todos nós, mas as pessoas mais pobres e marginalizadas enfrentam a maior carga”, diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “É inaceitável que mais de três bilhões de pessoas – a maioria mulheres e crianças – ainda estejam respirando fumaça todos os dias por utilizarem fogões e combustíveis poluentes em suas casas. Se não tomarmos medidas urgentes, nunca chegaremos perto de alcançar o desenvolvimento sustentável.”

7 milhões de mortes a cada ano

A OMS estima que cerca de sete milhões de pessoas morrem a cada ano devido à exposição a partículas finas em ar poluído, que penetram profundamente nos pulmões e no sistema cardiovascular, causando acidentes vasculares cerebrais, doenças cardíacas, câncer de pulmão, doenças pulmonares obstrutivas crônicas e infecções respiratórias, incluindo pneumonia.

Apenas a poluição atmosférica já causou cerca de 4,2 milhões de mortes em 2016, enquanto a poluição do ar por cozimento usando combustíveis ou tecnologias poluentes causou aproximadamente 3,8 milhões de mortes no mesmo período.

Mais de 90% das mortes relacionadas à poluição do ar ocorrem em países de baixa e média renda, principalmente na Ásia e na África, seguidos por países de baixa e média renda das regiões do Mediterrâneo Oriental, Europa e Américas.

Cerca de três bilhões de pessoas – mais de 40% da população mundial – ainda não têm acesso a combustíveis limpos e tecnologias em suas casas, principal fonte de poluição do ar interior do domicílio. A OMS monitora a poluição do ar por mais de uma década e, enquanto a taxa de acesso a combustíveis e tecnologias limpas está aumentando em todos os lugares, as melhorias não acompanham o crescimento populacional em muitas partes do mundo, particularmente na África Subsaariana.

A OMS reconhece que a poluição do ar é um fator de risco crítico para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), causando cerca de um quarto (24%) das mortes por doenças cardíacas, 25% por acidentes vasculares cerebrais, 43% por doença pulmonar obstrutiva crônica e 29% por câncer de pulmão.

Mais países em ação

Mais de 4,3 mil cidades em 108 países agora estão incluídas no banco de dados de qualidade do ar ambiente da OMS, tornando-o o banco de dados mais abrangente do mundo sobre poluição do ar. Desde 2016, outras 1.000 cidades foram adicionadas ao banco de dados da OMS. Isso revela que, mais do que nunca, mais países estão medindo a poluição do ar e tomando ações para reduzi-la.

A base de dados coleta as concentrações médias anuais de material particulado fino (PM10 e PM2.5). O PM2.5 inclui poluentes como sulfato, nitratos e carbono negro, que representam os maiores riscos para a saúde humana. As recomendações de qualidade do ar da OMS conclamam os países a reduzirem sua poluição do ar para valores médios anuais de 20 μg/m3 (para PM10) e 10 μg/m3 (para PM2.5).

“Muitas das megacidades do mundo ultrapassam os níveis de referência da OMS para qualidade do ar em mais de cinco vezes, representando um grande risco para a saúde das pessoas”, afirma Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública, Determinantes Ambientais e Sociais da Saúde da OMS. “Estamos vendo uma aceleração do interesse político neste desafio global de saúde pública. O aumento das cidades que registram dados de poluição do ar reflete um compromisso com a avaliação e o monitoramento da qualidade do ar. A maior parte desse aumento ocorreu em países de alta renda, mas esperamos ver um aumento similar dos esforços de monitoramento em todo o mundo”.

Enquanto os dados mais recentes mostram que os níveis de poluição do ar ambiente ainda são perigosamente altos na maior parte do mundo, eles mostram também algum progresso positivo. Os países estão tomando medidas para combater e reduzir a poluição do ar a partir de material particulado. Por exemplo: em apenas dois anos, o programa Pradhan Mantri Ujjwala Yojana, da Índia, forneceu conexões de LPG gratuitas para cerca de 37 milhões de mulheres vivendo abaixo da linha da pobreza, a fim de apoiá-las na mudança para o uso de energia doméstica limpa. A Cidade do México se comprometeu com padrões de veículos mais limpos, incluindo a mudança para ônibus sem fuligem e a proibição de carros privados a diesel até 2025.

As principais fontes de poluição do ar a partir de material particulado incluem o uso ineficiente de energia por parte das famílias, da indústria, dos setores de agricultura e transporte e de usinas termoelétricas a carvão. Em algumas regiões, areia e poeira do deserto, queima de lixo e desmatamento são fontes adicionais de poluição do ar. A qualidade do ar também pode ser influenciada por elementos naturais, como fatores geográficos, meteorológicos e sazonais.

A poluição do ar não reconhece fronteiras. Melhorar a qualidade do ar exige uma ação sustentada e coordenada do governo em todos os níveis. Os países precisam trabalhar juntos em soluções para o transporte sustentável, produção e uso de energia mais eficiente e renovável e gestão de resíduos. A OMS trabalha com muitos setores, incluindo transporte e energia, planejamento urbano e desenvolvimento rural para apoiar os países no enfrentamento desse problema.

Principais descobertas:

  • A OMS estima que cerca de 90% das pessoas em todo o mundo respirem ar poluído. Nos últimos seis anos, os níveis de poluição do ar ambiente permaneceram altos e aproximadamente estáveis, com concentrações decrescentes em alguma parte da Europa e das Américas.
  • Os níveis mais altos de poluição do ar estão na região do Mediterrâneo Oriental e no Sudeste Asiático, com níveis médios anuais frequentemente superiores a cinco vezes os limites da OMS, seguidos por cidades de baixa e média renda na África e no Pacífico Ocidental.
  • A África e alguns países do Pacífico Ocidental têm uma grave falta de dados sobre a poluição do ar. Para o continente africano, o banco de dados agora contém medições de PM para mais que o dobro de cidades antes contempladas. No entanto, os dados foram identificados para apenas oito dos 47 países da região.
  • A Europa tem o maior número de lugares que reportam dados.
  • Em geral, os níveis de poluição do ar ambiente são mais baixos nos países de alta renda, particularmente na Europa, nas Américas e no Pacífico Ocidental. Em cidades de países de alta renda na Europa, a poluição do ar tem reduzido a expectativa média de vida entre dois e 24 meses, dependendo dos níveis de poluição.

“Líderes políticos em todos os níveis de governo, incluindo os prefeitos das cidades, estão começando a prestar atenção e tomar medidas”, acrescenta Tedros. “A boa notícia é que estamos vendo mais governos aumentando seus compromissos para monitorar e reduzir a poluição do ar, bem como uma ação global do setor de saúde e de outros setores, como transporte, habitação e energia.

”Este ano, a OMS convocará a primeira Conferência Global sobre Poluição do Ar e Saúde (30 de outubro a 1º de novembro de 2018) para reunir governos e parceiros em um esforço global para melhorar a qualidade do ar e combater as mudanças climáticas. Saiba mais: //wwwwho.int/airpollution/events/conference/en/.

Nota aos editores:

Banco de dados sobre qualidade do ar da OMS

O banco de dados se baseia principalmente em sistemas públicos de monitoramento da qualidade do ar bem estabelecidos como fonte de dados confiáveis em diferentes partes do mundo. As principais fontes são os relatórios oficiais de governos. Outras são a Clean Air Asia e a Agência Europeia do Ambiente – para a base de dados de relatórios eletrônicos sobre a qualidade do ar da Europa, medições do solo compiladas para o projeto Global Burden of Disease e artigos de revistas com revisão feita por pares.A base de dados, juntamente com o resumo dos resultados, metodologia utilizada para compilar os dados e os agrupamentos de países da OMS, podem ser encontrados em: //www.who.int/phe/health_topics/outdoorair/databases/cities/en/.

Banco de dados da OMS de energia no domicílio

A OMS mantém um banco de dados sobre as tecnologias e combustíveis usados para a principal energia doméstica (como cozinha, aquecimento e iluminação) de mais de 1,1 mil pesquisas e censos nacionalmente representativos. Esses dados são atualizados regularmente e usados para informar os esforços de monitoramento do acesso à energia doméstica e seus impactos à saúde (por exemplo, SDG 3 e 7).Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e meio ambiente

A OMS é a agência de custódia do Indicador de Metas de Desenvolvimento Sustentável para reduzir substancialmente o número de mortes e doenças causadas pela poluição do ar até 2030 (ODS 3.9.1), bem como dois outros indicadores relacionados à poluição do ar – ODS 7.1.2, proporção da população com dependência primária de combustíveis e tecnologias limpas, e ODS 11.6.2. Todos os indicadores estão disponíveis em: //apps.who.int/gho/data/node.sdg. A exposição modelada atualizada ao meio ambiente PM2.5 e poluição do ar em ambientes domésticos desenvolvida em colaboração com a Universidade de Exeter, Reino Unido, bem como as estimativas da carga de doenças estimadas para 2016, podem ser encontradas em //www.who.int/airpollution.

Campanha BreatheLife

Junto ao lançamento dos dados, a campanha de comunicação global BreatheLife lançou um desafio para incentivar os cidadãos a tomarem medidas para reduzir a poluição do ar. O primeiro da série é o “Maratona por mês”, que convoca pessoas a deixarem seus carros em casa e usar formas alternativas de transporte por pelo menos a distância de uma maratona (42 km) por um mês.

A BreatheLife é uma parceria entre a OMS, ONU Meio Ambiente e a Clean Air Coalition to Reduce Short-lived Climate Pollutants e visa aumentar a conscientização e a ação sobre a poluição do ar por parte de governos e indivíduos.

Fonte: OMS Brasil

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