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nov 28 2015

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O Distrito Federal negligencia a proteção ao idoso

Vamos agora contar uma história real, preservando os nomes dos personagens. Uma história que deveria nos cobrir de vergonha, porque não é um fato isolado, mas uma realidade cruel que atinge milhares de idosos no Brasil: a violência e o descaso. O relato são de fatos acontecidos no Distrito Federal, em Brasília, no centro do poder político nacional.

Um homem (42 anos), usuário de drogas desde os 14 anos, vive com o pai (78 anos) e com a mãe (73 anos). O sujeito já esteve preso por diversas vezes, incluindo prisão por tráfico de drogas e homicídio. Provavelmente já cometeu outros crimes, mas não foi flagrado e nem responsabilizado.

Os pais são pessoas honestas e batalhadoras, que travam, praticamente sozinhos, a guerra doméstica contra as drogas. Pelo princípio de relato acima já se percebe que estão perdendo a guerra para as drogas. Nunca, diga-se, estiveram nem perto de vencer a batalha.

No cotidiano familiar, histórias de furtos de bens dos pais para aquisição de drogas. A cada dia a situação torna-se pior e mais dramática. Os demais filhos do casal se veem de mãos atadas. Os pais, sempre em busca da recuperação da “ovelha perdida”, toleram tudo e acham que a missão de suas vidas é ajudar o filho que foi cooptado para o mundo das drogas.

Há um certo tempo, no trágico enredo, somou-se a pratica de violência física contra os pais, idosos e já alquebrados pelo tempo e pela labuta. Os vizinhos escutam os gritos de socorro, mas não ousam interferir, afinal, o histórico penal do rapaz é vasto e consistente. No máximo, de forma anônima, chamam a polícia. Quando os milicianos chegam, em geral depois de muito tempo, a sessão de tortura já acabou e os pais, para proteger o filho, negam as agressões.

Os vizinhos e os filhos não-drogados não sabem mais como agir. E, realmente, a intervenção é complexa. A questão da violência intrafamiliar reclama uma intervenção estatal. O Estado precisa estar organizado, com uma firme e operacional rede de proteção. A questão é: COMO ACIONAR O ESTADO, SEM COLOCAR EM RISCO A PRÓPRIA SEGURANÇA?

A resposta é simples, a porta de entrada para a rede de proteção ao idoso deve ser por meio de um mecanismo que permita a denúncia anônima. É preciso que exista um canal telefônico para que a população denuncie os casos de abusos físicos e psicológicos contra os idosos. Vale considerar que a maioria dos casos de violência é intrafamiliar.

Uma das portas de entrada das denúncias é o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Acontece, entretanto, que entre a formalização da denúncia anônima e a adoção de medidas práticas por parte do Distrito Federal, muitas vezes, há um lapso de mais de 30 dias. As vítimas, em geral, irão negar os fatos.

O Distrito Federal, embora saiba da deficiência dos canais de comunicação dos casos de violência contra os idosos, não investe em um sistema de comunicação eficiente e interligado à Polícia Civil e à Polícia Militar. Ao ser negligente, o Distrito Federal compactua com a violência contra os mais velhos. A proteção aos idosos deve se dar de forma ininterrupta, porque a violência não acontece apenas em horário comercial e durante os dias de semana.

Enfim, o drogado que ilustrou o texto, há mais de 10 dias já foi denunciado ao Disque 100, e, se tudo der certo, continuará agredindo os pais idosos por “apenas” mais um mês. Talvez esteja agredindo agora, enquanto o texto é lido. Infelizmente, cabe apenas torcer para que não mate os pais. Diante de tal fato, o sistema de proteção ao idoso no Distrito Federal é ou não é falho? Será que vamos esperar que nos tornemos idosos para combater a violência contra os idosos? Lembre-se, a menos que morra jovem, você, leitor, um dia será idoso, um dia pode ser vítima.

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