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jan 04 2018

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O nascimento de Jesus tal qual celebramos e a existência de uma sociedade inclusiva são duas distorções publicitárias e que não refletem a realidade. Antes de atirar a primeira pedra, leia até o final.

Há poucos dias tivermos a versão comercial do Natal. Tudo muito bonitinho e nada a ver com o que foi retratado pela Bíblia. O Natal, na versão comercial, retrata duas espécies de super-heróis (José e Maria), que trouxeram à luz o Deus menino, nascido em um estábulo, tendo por testemunha do evento vaquinhas, boizinhos, burrinhos, animaizinhos. Tudo no diminutivo para conferir um ar de mansidão, paz e tranquilidade. Os reis magos, na forma em que retratados, conferem um ar ainda maior de espetáculo da Disneylândia. E enquanto tudo acontecia, os anjos cantavam hosana, hosana, hosana. A cena, comercial, é tenra, como comercial de manteiga. A realidade descrita na bíblia é muito diferente.

O nascimento de Jesus foi circundando por um banho de sangue. Herodes, o vilão caricato da versão comercial, mandou matar um monte de crianças inocentes para não correr risco de ver o seu reinado em risco. A Bíblia não diz quantos foram assassinados, mas, sem dúvida, foi muita gente. Jesus só não foi assassinado porque a providência divina atuou. Os Reis Magos tiveram que fugir de Herodes, voltando por outro caminho e correndo um risco tremendo. Nascer em um estábulo também não tem a conotação romântica reproduzida na versão comercial do Natal. Vacas, cabras, bois e os outros animais defecam, urinam, fedem…o ambiente, sem dúvida, era insalubre.

A comparação não é para ofender, mas apenas para retirar o ar gourmet que a versão comercial do Natal adotou. Basta que os pais imaginem o seu filho nascendo rodeado por bois, vacas, esterco e sujeira para perceber que a cena do nascimento de Cristo foi em um ambiente dramático. Não duvidamos do nascimento de Cristo. Apenas não engolimos a versão romantizada.

Quando se pensa em inclusão das pessoas com deficiência, sejam elas físicas ou intelectuais, temos uma versão comercial, do tipo propaganda de manteiga. Assim como o Natal comercial não tem nada a ver com a cena bíblica, a inclusão que querem que pensemos que existe não guarda relação com a realidade das pessoas com deficiência, em especial as intelectuais, como é o caso da síndrome de Down e do Transtorno do Espectro Autista.

Na versão bonitinha da inclusão (lembrem das vaquinhas no diminutivo) as escolas são obrigadas a receber as crianças com síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral e outras deficiências. Mas não recebem por obrigação, mas por gosto, afinal querem incluir. Na versão real, aquelas que os pais experimentam no dia-a-dia, não é bem assim. Quando as escolas não cobram valores extras, deixam os alunos com deficiência no canto da sala.

Na versão bonitinha da inclusão (lembrem do burrinho no diminutivo), os planos de saúde não discriminam as crianças com deficiência. Na versão real, rodeada com o esterco da realidade, os planos limitam o número de sessões das terapias, tentam cobrar valores maiores a título de mensalidades e fazem toda espécie de malabarismo para rescindir os contratos.

Na versão gourmet da inclusão, as pessoas com deficiência possuem preferências na tramitação dos processos judiciais, no recebimento da restituição do Imposto de Renda, facilidades para aquisição de veículos com isenção de impostos. Na realidade, na dureza do dia-a-dia, as pessoas com deficiência e seus familiares encontram burocracia, estão sempre na malha fina, os processos judiciais tramitam como os demais (apenas colocam uma tarja de preferencial).

Assim como o natal comercial não tem nada a ver com o Natal real (tal qual descrito na Bíblia), a afirmativa de que vivemos em uma sociedade inclusiva não é verdadeira. A sociedade atual muito mais se parece com o tirano e sanguinário Herodes do que com a cena idílica retratada no natal comercial.

E a comparação com Herodes não é uma mera figura de linguagem. A sociedade quer a morte dos inocentes com síndrome de Down e outras deficiências já no ventre. Herodes deixou nascer. A nossa sociedade atual não quer nem permitir o nascimento. Não é sem motivo que países como a Islândia se vangloriam de ser uma sociedade “Down Free”, ou, em bom português, uma sociedade sem síndrome de Down. O dia que o autismo puder ser detectado no ventre materno, o destino será o mesmo que apregoam para a síndrome de Down.

Refletindo sobre tais aspectos, a única conclusão a que chegamos é de que a nossa sociedade não é inclusiva. O Natal, tal qual o celebramos e a existência de uma sociedade inclusiva, aos nossos olhos não passam de mito. Estamos sendo pessimistas? Dramáticos? O que você pensa a respeito?

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