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mai 01 2018

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Suicídio: No Brasil, em média, 32 pessoas por dia tiram a própria vida

Aproximadamente 7% da população mundial enfrenta, ano a ano, o luto por alguém que se matou. No Brasil, em média, 32 pessoas por dia tiram a própria vida, fazendo com que o suicídio continue sendo a segunda maior causa de morte em jovens dos 15 aos 29 anos de idade e a principal entre mulheres dos 15 aos 19.

Em São Paulo, em menos de dez dias, dois alunos de escolas particulares se mataram. E há anos, os números não baixam. O problema, segundo alguns especialistas, é que muitas vezes faltam zelo e competência para escutar e enxergar o outro, para evitar as tragédias.

A psicóloga Adriana Severine explica que as tecnologias são muito positivas, mas com elas as pessoas têm a falsa sensação de que estão juntas. “A cena é a família na sala vendo filme, mas o marido com o celular, filhos e esposa também. Teoricamente, estamos juntos, mas não estamos”, avalia.

Outra questão que chama a atenção é o suicídio de jovens. Os de até 30, 35 anos, e também os adolescentes, viveram na infância um período em que o País estava bem economicamente. Ou seja, as famílias puderam criá-los sem tantas preocupações. Ao mesmo tempo, pais e avós atuais cresceram ouvindo que precisavam estudar para conseguir um bom emprego. Então, passam essa preocupação à geração atual.

Na prática, parece que a receita de bolo de ontem, hoje não deu tão certo. O cenário é de milhares de brasileiros graduados e pós-graduados desempregados. Também há falta de expectativa positiva na política, nas pessoas e no futuro. É uma profunda preocupação sempre presente.

Soma-se o desânimo geral com fatores pessoais e distúrbios psiquiátricos, como explica a psicóloga Adriana Severine. “Eles veem os pais voltarem do trabalho reclamando. Veem a ideia de um futuro brilhante desmanchar. Veem o desemprego e estão enxergando a realidade do mundo muito cedo, sem estarem prontos para isso. A geração anterior foi educada para sacrifícios. Essa ganhou a obrigação de ser feliz 100% do tempo”.

Para a psicóloga Kátia Lucas Rosa, a educação cercada de convivência e medidas simples pode ajudar. “Hoje, a gente dá um joguinho em que a pessoa passa de fase em minutos. Quando não consegue, ela pega um tutorial para aprender e passar direto. Na vida não é assim. Alguns acham que isso é besteira, mas lembra do jogo de Pega Varetas? Precisava da paciência de tirar, passar a vez ao errar e nem sempre quem recolhia mais era vencedor. Se der um pega vareta a um jovem hoje, dificilmente ele fica ali mais de cinco minutos”.

Assim, a frustração com a vida se torna inevitável. E muitos adultos, e até colegas da mesma idade, não sabem o que dizer ou como ajudar. Nessa hora, a palavra errada pode piorar a situação.

No caso de adolescentes, Adriana Severine ressalta que quando se menospreza a tristeza, a preocupação com algo simples vira falta de aceitação, desprezo. “E ninguém quer ficar com um outro negativo. Começam a rejeitar, ignorar porque fulano está sempre chorando, só reclama, nunca pode sair. A pessoa acha que as outras têm razão”.

Os perigos da internet

Os últimos casos de suicídio de jovens em São Paulo foram relacionados, inicialmente, ao uso do aplicativo chamado SimSimi, o que até agora não pode ser comprovado.

Independentemente se influenciou ou não os jovens que tiraram a própria vida, a advogada especialista em Direito Digital Alessandra Borelli, consultora PlayKids, plataforma educacional infantil, diz que o app foi comparado ao jogo da Baleia Azul e retirado do ar.

Hoje, quem baixa o aplicativo lê apenas uma mensagem explicando que o conteúdo tinha restrição de idade e não foi bem compreendido.

Segundo especialistas, o SimSimi usava de inteligência artificial para gerar respostas automáticas quando os usuários iniciavam uma conversa. Porém, o sistema foi alimentado com conteúdo de apelo sexual, prática de bullying e até ameaças de morte. Há a possibilidade de outros apps parecidos surgirem, repetindo o mal.

“Quando o assunto é jovem e internet, fica difícil manter a segurança, principalmente em época de cyberbullying, nudes e até aplicativos que podem estimular condutas erradas nas redes, provocando problemas, às vezes, irreversíveis”, diz ela.

Controle

Exatamente por isso, os pais precisam redobrar os cuidados. Não é questão de privacidade. É preciso estar atento, porque a responsabilidade pelo conteúdo que uma criança ou adolescente publica ou acessa na internet é dos pais.

A fisioterapeuta Andrea Regina Junqueira, 48 anos, mãe de Leonardo, de 10, conta que olha sim, com frequência, tudo o que o filho faz nas redes. “Usei, inclusive, do episódio Baleia Azul, no passado, para começar a abordar o tema”.

A advogada relata que essa é a conduta correta e dá dicas. “Existem meios técnicos para bloquear downloads, por exemplo. É só os pais irem na área de privacidade do celular e acionar a dupla autenticidade para que a criança só consiga baixar algo novo com a senha dos pais”, diz, lembrando que, como vigilância 24 horas não é possível, a conversa é importante.

Pais devem redobrar os cuidados

“Meu filho tem celular, iPad, mas meu marido e eu sabemos todas as senhas e olhamos tudo. Olhamos conversas, vemos o que é certo e o que é errado e conversamos sempre. Lembramos que não existe amigo de internet.

Tem que conhecer a pessoa. Até para jogar videogame on-line, programamos só para poder jogar só com amigos”.

“Suicídio é dor na alma”

Nas últimas semanas, o assunto suicídio voltou com tudo às rodas de conversa, programas de tevê e redes sociais. Além dos casos ocorridos em colégios de São Paulo, a morte do DJ sueco Avicii chamou a atenção do mundo. Ele foi encontrado morto dia 20 de abril. Depois de seis dias de especulações, a família do artista se pronunciou sugerindo o suicídio. “Ele lutava contra pensamentos sobre o significado da vida, da felicidade. Ele não conseguia mais. Queria achar a paz”.

No mesmo dia 26 de abril, o programa Conversa com Bial, da TV Globo, discutiu o tema em rede nacional, o que causou forte impacto nas pessoas, que utilizaram as redes sociais para reafirmar que é preciso falar sobre suicídio. Entre os convidados estava o psiquiatra Neury Botega, fundador da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio.

“O suicídio muitas vezes é visto como a única saída para cessar uma dor insuportável e que a pessoa acha que não vai terminar mais. É uma dor na alma. E ela não vê outra saída”. O especialista também falou sobre a alta no número de casos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nos últimos 45 anos, o suicídio cresceu 60% no mundo. “O suicídio está aumentando porque os índices de depressão e de dependência química estão aumentando. Tudo isso diminui a capacidade de suportar o sofrimento e de fazer da tristeza e da crise humana uma maneira de crescer, de pedir ajuda e ser ajudado”.

Neury Botega criticou uma informação bastante difundida na mídia e até por alguns especialistas, de que 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados. “De onde tiraram isso? O constatado pela OMS, a partir da revisão de mortes de 16.500 pessoas que se mataram, foi que em 90% dos casos poderiam ser aventados um transtorno mental. Ou seja, o transtorno mental é, na maioria das vezes, um fator ‘a mais’ para o suicídio. Mas precisa estar combinado a outros fatores”.

Para o psiquiatra, o problema é que houve uma apropriação errada da informação de que, em 90% dos casos, era possível fazer um diagnóstico retrospectivo, evitando o pior. “Não. Isso só causa mais culpa nas pessoas que perderam alguém por suicídio”, alerta ele.

Fonte: Por Sheila Almeida – A Tribuna

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