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out 18 2015

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Uma viagem à Holanda

Um texto que muito nos auxiliou na fase em que recebemos a notícia da síndrome de Down é o que faz um paralelo com uma viagem à Holanda, quando se esperava um período de férias na Itália. É uma analogia perfeita e que deve ser compartilhada infinitamente.

Uma determinada família, durante nove meses ou mais, sonhou com uma viagem à Itália. Pesquisava na internet o enxoval que deveria levar, estudava sobre as obras de arte do Vaticano, pesquisava os melhores restaurantes…quem sabe até encontrar e conversar pessoalmente com o Papa Francisco.

No dia do embarque, a alegria é impossível de ser medida, um sonho tão esperado, tão idealizado está prestes a se concretizar. Um sonho se tornando realidade.

Quando o avião aterrissa, o comandante avisa que tiveram um “pequeno” programa e que foram forçados a aterrissar na Holanda e que não será possível ir até a Itália. Holanda ou nada!

É natural pensar na decepção daquela família, que sonhou, que projetou coisas fantásticas naquela viagem à Itália e que foram obrigados a desembarcar na Holanda.

O que você, caro leitor, faria em uma situação dessas? Ficaria sentado no aeroporto, chorando e se lamentando ou iria aproveitar e conhecer a Holanda?

Sem dúvida é um país diferente da Itália. Não são os planos e projeções que você fez, mas é um país de atrações muito interessantes. Os campos de flores, terra de Van Gogh, uma cultura riquíssima e oportunidades de inúmeras surpresas.

Quantas famílias planejam um filho, fazem planos e projeções. A compra do enxoval, a escolha do nome e quantas vezes dizem: a única coisa que importa é que seja perfeito. O filho projetado e sonhado é a viagem à Itália.

A notícia de que aquele filho esperado, planejado e idealizado não vai chegar é como o anúncio do piloto. Não tem como ir à Itália. Estamos na Holanda.

As opções são as mesmas, chorar e se lamentar ou aproveitar as coisas boas, e são muitas, naquele filho que não é igual àquele do sonho, que não atende ao “padrão de normalidade” que criamos em nossas mentes.

O filho com síndrome de Down é diferente, traz um cromossomo a mais, muitas vezes traz preocupações adicionais e exige cuidados redobrados. Fisioterapia, fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Cardiologistas, Oftalmologistas e tantos especialistas vão entrar na sua rotina. Mas também uma criança que sabe sorrir, que sabe retribuir ao carinho e à atenção que a elas dispensamos.

Os desafios são muitos, mas as recompensas também. Com o tempo, assim como aquela família de turistas, se descobre muitas coisas boas e alegres. Temos 03 filhos, um com síndrome de Down e que teve câncer. Eles, os três, são únicos e cada um, com as suas próprias necessidades e personalidades, nos trazem alegrias únicas.

Não se desespere, seja muito bem vindo à Holanda e aproveite a viagem. Você não vai se arrepender.

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