Segredo que precisamos entender para proclamar a nossa humanidade e recuperar o pulsar da vida

O mundo está abarrotado de pessoas e empresas que prometem transformações de vida. Será mesmo que precisamos transformar a nossa vida? No texto, discutimos um pouco sobre as promessas de transformações. Especulamos sobre o que acreditamos ser o caminho para uma vida mais plena.

BEM ESTAR

André Soares

5/16/2022 3 min read

Algumas pessoas têm alma. A vida parece que flui de forma mais intensa na vida de tais pessoas. Outras pessoas, no entanto, parecem ter perdido a própria alma. Não vivem, apenas sobrevivem. Ainda que tenham bens e que aparentem ter uma vida plena, suas ações parecem vazias, destituídas de significado. Vidas vazias e sem graça. O que distingue as pessoas “com” e “semalma é o quanto elas conhecem a si mesmas. E, muitos, talvez você, busque o conhecimento sobre a própria realidade nos lugares errados. Ao final, os riscos de perdemos a nossa alma, a nossa identidade e uma forma de se proteger contra tais riscos e perigos.

Instituições religiosas ensinam as pessoas a se tornarem melhores, boas, mas, raramente, ajudam as pessoas a conhecerem a si mesmas. Muitas linhas terapêuticas acreditam que auxiliam as pessoas a se aceitarem como são, mas poucas proporcionam os meios para que as pessoas compreendam quem são e quem podem vir a ser. O sistema educacional é voltada para a criação se serem economicamente úteis, mas não para que o indivíduo alcance ou busque a plenitude. Muitas dessas instituições prometem transformações. Mas será que tais transformações são mesmo necessárias?

Quando as pessoas não são treinadas a buscar o autoconhecimento, perdem, aos poucos, o autorrespeito. O mecanismo é simples, quando não nos conhecemos, sentimos um vazio. O vazio nos incomoda e precisa ser preenchido. Tentamos, sem conseguir, preencher o vazio com comida, bebida, uso de drogas ou com outras coisas executadas de forma obsessiva e frenética. O denominado ritmo da vida moderna se transforma em disfarce para o vazio. O movimento e a excessiva ocupação, a correria do dia a dia, fornece a ilusão de que damos significado à nossa vida.

Enquanto tentamos preencher o vazio da vida com efemeridades, acabamos sucumbindo a constante pressão para nos mostrarmos à altura dos padrões de comportamento preestabelecidos por outras pessoas. Ao invés de buscar encontrar a nossa própria singularidade, tentamos moldar nossa vida aos padrões dos outros. Ao invés de descobrirmos quem somos, buscamos que a nossa aparência se encaixe em padrões de beleza, que os nossos gostos sejam aceitos pelas outras pessoas. Note-se, vivemos em sociedade e encaixar no ambiente social é importante, mas não pode ser o nosso único critério de vida. Não olhamos para dentro, pois sempre estamos olhando para fora, buscando a validação externa. E esse comportamento, essa falta de olhar para dentro, é muito perigosa.

Quantos de nós não queríamos ter o corpo perfeito, igual daquelas pessoas que vemos na televisão e no cinema? Quantos não gostaríamos de ser pessoas iluminadas? Quantos não gostariam de ser mais felizes? Mais saudáveis? Quantos não gostariam, neste momento, de viver outra vida?

Muito desse desejo de transformação se deve ao fato de que a maioria das pessoas não conhece a própria identidade. Não conhece as próprias potencialidades. Por isso, achamos que o jardim do vizinho é mais verde. E, ao achar que os outros são melhores e mais dignos, queremos a vida deles. E, quando alimentamos o desejo de sermos outra pessoa, nos tornamos presas fáceis, dos que prometem transformações milagrosas.

Pessoas que não conhecem a própria realidade se tornam consumidores submissos, vítimas de todos aqueles que prometem que podem nos ajudar a superar as nossas próprias limitações, os nossos pecados, enfermidades e pobrezas. Gente que vende a fórmula da perfeição é o que mais vemos no mundo, especialmente no mundo virtual. Os muito “coaches”, “mentores” e “especialistas em transformação” vendem fórmulas prontas, mas, raramente, incentivam que suas “vítimas” descubram e honrem o que é verdadeiro no nosso interior.

Precisamos entender que o caminho, que a fórmula para uma vida melhor, não consiste em se transformar em outra pessoa, mas, sim, em descobrir quem você verdadeiramente é.

A descoberta do autoconhecimento é recompensadora. Adquirimos a capacidade de enxergar e perceber o nosso próprio valor, inteligência e bondade. Conseguimos recuperar a nossa alma e sentir a vida fluindo e pulsando em nossas veias. Passamos a escutar o bater do coração, sem a excessiva preocupação de buscar a validação externa. O autoconhecimento é tudo que precisamos para dar início a proclamação da nossa humanidade.

Benefícios do autoconhecimento

Perigo de somente olharmos para o exterior: nos tornar presas fáceis para gente sem escrúpulos