Aprenda a se defender da irracionalidade (sua e dos outros)

De onde surge a vontade de atenção dos homens. Raivas e ressentimentos muito veementes escondem a inveja. Quando nos deixamos governar pelas emoções, nos tornamos irracionais. Mas é possível que nos defendamos da irracionalidade.

RACIONALIDADE

André Soares

4/14/2022 4 min read

Suas emoções fazem com que você veja o que você quer ver. O desconectam da realidade e, se bem analisadas, as emoções descontroladas são a fonte das decisões ruins e dos padrões negativos de comportamento. Você está reagindo na busca de prazer e para evitar a dor, passando, sem muito raciocinar, por ondas de excitação, inseguranças e ansiedade, que tornam a concentração ainda mais difícil. As emoções estreitam a mente, encurtam o raciocínio, fazendo com que nos concentremos menos. A ausência de racionalidade afeta a humanidade de forma generalizada. Mas é possível quebrar o ciclo vicioso de irracionalidade. Temos como nos defender das nossas próprias emoções e das emoções dos outros.

Negação ativa

Para impedir a própria irracionalidade, precisamos detectar a fonte da nossa emoção. A raiva e o ódio, por exemplo, costumam ser direcionados a outras pessoas e situações. Odiamos alguém, algum grupo ou alguma situação. Mas, na verdade, a raiva ou ódio esconde a projeção de algum trauma, desejo ou culpa interior que a pessoa reprime.

A forma de externalizar as tendências que a pessoa reprime é através da negação ativa. Quando sentimentos muito ódio, raiva, apego excessivo por algo, devemos tentar identificar quais os nossos próprios desejos, traumas e culpas interiores.

Pense em uma situação que lhe causou muita indignação, causou raiva ou provocou raiva. Se você for honesto com você mesmo, provavelmente, no fundo dos fatos, descobrirá que os motivos e explicações que deu para o ato não revelam a verdade.

Não temos acesso consciente, pelo menos não de forma natural, às origens das nossas emoções e aos ânimos que estas geram. A falta de acesso e compreensão intuitiva das nossas emoções exige que sejamos rigorosos conosco mesmo, para escrutinar a própria consciência.

Busca por validação social nas redes sociais

Vemos muito essa dubiedade entre prática e realidade nas redes sociais. Apagamos dados essenciais, distorcemos os fatos e criamos generalizações imprecisas para justificar os nossos atos injustificáveis. Criamos uma história para ser consumida pelo público, buscando aprovação social para os nossos erros ou falhas.

Antes do avanço das redes sociais, a sabedoria popular, por exemplo, sempre ensinou que em um velório, os que mais choram, os que mais demonstram desespero, são os que carregam as maiores culpas em relação ao falecido. Consciência pesada faz com que as pessoas gritem de dor.

Quem está errado, no mundo moderno, rapidamente vai às redes sociais. Imagens e frases de efeito objetivam conseguir a validação de outras pessoas. Validação social pelas informações incompletas, manipuladas e que resultam em generalizações imprecisas. A validação social gera uma espécie de unguento para a consciência.

O entusiasmo ou força da revolta de alguns por certos temas, especialmente os de cunho moral, deveria nos acender o alerta de que o entusiasmo ou revolta é apenas um pano para encobrir a realidade.

No mundo real, muitos pais não prestam assistência material aos filhos. Atrasam o pagamento de pensão e raramente visitam os filhos. Dão milhares de desculpas, como o tempo está curto e o dinheiro escasso para justificar o abandono material. Nas redes sociais, as fotos com os filhos, em momentos de lazer, tentam projetar um ar de parentalidade responsável. Muitos pais, para justificar a própria conduta, ainda projetam os próprios defeitos na ex-esposa ou ex-companheira, mãe das crianças.

Importante dizer que nem todas as imagens e postagens em redes sociais representam uma vida falsa. Mas não se pode analisar algo, de modo racional, com fundamento apenas em postagens de redes sociais. É preciso, sempre, que busquemos a realidade além das aparências e distorções que as redes sociais podem proporcionar.

Ódio aos homossexuais

A homofobia é um exemplo atual do que estamos falando. Os homofóbicos odeiam homossexuais, chamando-os de abominações e coisas do gênero. De onde vem essa raiva ou esse ódio? Em geral, os homofóbicos têm, no fundo da alma, desejos ou tendências homossexuais. Reprimem esses desejos no porão da alma. Mas o desejo reprimido, de alguma forma, quer se mostrar ao mundo. A negação ativa vem à luz através de gestos, palavras e opiniões homofóbicas. O indivíduo critica, de forma feroz, um comportamento (homossexualismo) que no fundo admira ou que gostaria de ter para si.

Moralistas e escândalos sexuais

Não deveria nos causar surpresa, por exemplo, quando alguém muito moralista é envolvido em escândalos sexuais. São pessoas que tentam reprimir com força as próprias taras e perversões. Apresentam fachada piedosa, muitas vezes com a estampa religiosa, mas, controlados pelas emoções, deixam que os desejos os governem e adotam uma vida paralela. Negam ativamente, aquilo que mais desejam.

Defesa contra as emoções e a irracionalidade

Nos defendemos das nossas próprias emoções, buscando entender de onde elas se originam. Compreendendo a nossa irracionalidade, teremos como nos tornar mais racionais, pois não serem governados e conduzidos pelas nossas emoções primitivas.

Nos defendemos da irracionalidade dos outros, tendo pesquisar e descobrir a origem das emoções que estão governando as palavras, atitudes e pensamentos da pessoa.

Descobrir por qual razão temos tem tanta sede de atenção. Compreender que por trás de toda raiva e sinais gigantescos de indignação existe a negação ativa é uma forma de nos defender das próprias emoções e de nos defender das emoções dos outros