O que seria do Bom Samaritano se ele não tivesse dinheiro?

O bom Samaritano, sem dinheiro, seria apenas um anônimo bem intencionado. Para fazer o bem, é preciso ter dinheiro

DINHEIRO

André Soares

4/19/2022 2 min read

Todos precisamos de dinheiro. A “grana” é para o homem tão essencial como o ar que ele respira. Mas não gostamos de falar sobre dinheiro. Associamos o materialismo como algo ruim, vergonhoso. Queremos, em geral, ter uma aparência mais espiritual e menos materialista. Só que é impossível ser “espiritual” sem ter dinheiro. A caridade, se não houver os meios materiais de praticá-la, costuma não passar de boas intenções ou ter um alcance muito limitado.

E a história bíblica do Bom Samaritano é um bom exemplo disso. Vamos relembrá-la.

Alguém pergunta ao Cristo: “Quem é o meu próximo?”, e em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram deixando-o quase morto.Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado.E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado.Mas um samaritano, estando de viagem, chegou aonde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele.Aproximou-se e lhe enfaixou as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e lhe disse: ‘Cuide dele. Quando eu voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’.

Vejam que um sacerdote e um levita passaram e viram o homem desfalecido. Religiosos e os levitas, em teoria, deveriam ser caridosos e bondosos. Também se pode presumir que eram ricos. Entre ajudar e ficar com os próprios bens, a história deixa clara qual foi a opção. Antes deles, os ladrões encontraram e roubaram o homem. O dinheiro está na motivação das agressões.

Nos personagens, o dinheiro foi a causa de um crime e de duas omissões. Podemos, assim, concluir que o dinheiro está na raiz de toda maldade. E, essa conclusão apressada, pode justificar a relação preconceituosa que temos com o dinheiro.

A conclusão é apressada. Não é o dinheiro que está na raiz de todos os males, mas, sim, o apego excessivo ao dinheiro. E, o Bom Samaritano é a prova disso. Ele, exposto a mesma situação que os demais, fez bom uso da grana. Ajudou a quem precisava, foi generoso. E a generosidade dele pode nos conduzir a afirmação, também precipitada, de que o dinheiro está na raiz de todas as boas ações. Se o Bom Samaritano não tivesse dinheiro, o homem desfalecido na estrada teria morrido, ninguém saberia do Bom Samaritano e não estaríamos falando sobre o assunto mais de 2.000 anos depois.

A conclusão a que chegamos é de que o dinheiro é apenas um instrumento, ora utilizado pela nossa ganância e avareza, ora utilizado pela caridade e bondade. E, quando utilizado para o bem, é um instrumento essencial. O Bom Samaritano, sem dinheiro, só teria boas intenções e, como sabemos, boas intenções são o ladrilho que pavimenta o caminho para o inferno.