A crise financeiro de 2008 acontecerá novamente

As crises financeiras são cíclicas. De tempos em tempos, o mundo e as pessoas são atropelados por fenômenos que já ocorreram no passado e que achávamos que não se repetiriam novamente. Entende os motivos é a principal arma de defesa que podemos ter.

DINHEIRO

André Soares

5/6/2022 3 min read

Em 2008, uma grave crise financeira assolou o mundo, causando o caos e destruindo economias mundo a fora. Não foi a primeira crise financeira e tampouco a última. Outras virão e os motivos são sempre os mesmos. Analisar as razões que levaram à crise de 2008 ajudará a nos proteger das crises futuras, que, mais cedo ou mais tarde, voltarão a acontecer. Você gosta de se enxergar como um investidor consciente. Espero que, de fato, seja, mas, a tendência é que muitas vezes acabe se orientando pelo desejo de lucro fácil e rápido. Você, se não aprender a analisar o que leva as pessoas a caírem em golpes e bolhas especulativas, pode se tornar a próxima vítima.

Quando a crise de 2008 explodiu, vários especialistas ocuparam a mídia. Diziam que a crise decorreu da oferta excessiva de crédito barato, a frouxidão dos órgãos de fiscalização, a existência de uma quadrilha astuta e corrupta no comando das instituições financeiras e da cúpula governamental.

Explicações similares foram dadas em outras crises e golpes. No Brasil, podemos citar os inúmeros casos de pirâmides financeiras, como a "Boi gordo", "Avestruz master" e da construtora Encol. E com tais explicações, isentou-se as "vítimas" de qualquer espécie de responsabilidade pelo infortúnio que lhes assolou.

Em um nível menos global, pessoal, temos a oferta de crédito que tornou parte significativa da população altamente endividada. Carros adquiridos em 60 parcelas, rotativo de cartão de crédito e empréstimos bancários consignados e que tornam a vida financeira de diversas famílias um verdadeiro suplício.

As justificativas para a existência das diversas crises financeiras e para o superendividamento de pessoas, famílias, empresas e governos é dotada de forte carga de negação. As vítimas se recusam a acreditar que elas tenham uma parcela de culpa nos acontecimentos. Preferem esquecer que todos os golpes e crises nascem de decisões pessoais erradas. Em geral, decisões que visavam o lucro fácil ou a obtenção de alguma espécie de prazer imediato.

É claro que, circunstâncias externas, como uma doença e gastos inesperados e inadiáveis podem levar as pessoas à crises. A pandemia provocada pela COVID-19, por exemplo, levou pessoas e empresas à ruína financeira, sem que elas tenham culpa pela situação em que se encontram. Mas, a culpa exclusiva de fatores externos é rara e excepcional.

A maioria das análises da crise de 2008, a exemplo do que aconteceu em crises passadas e do que acontecerá nas bolhas especulativas futuras, ignora que muitas das decisões tomadas por indivíduos foi fruto de implacável irracionalidade. O canto da sereia, em geral, é a promessa de ganhos fáceis e sem esforço. A ganância do ser humano é a grande arma utilizadas por especuladores e estelionatários. As bolhas especulativas ocorrem por causa da intensa atração emocional que a ideia de lucro fácil e sem trabalho exerce sobre indivíduos. Outro fator que leva muitos a caírem em tais armadilhas é a inveja e a comprovação social. Quando vemos que alguém está tendo lucro fácil, acreditamos que a pessoa já refletiu sobre o que está fazendo. Ao invés de dedicarmos tempo para analisar o "esquema" e o "negócio da China" que está nos sendo proposto, preferimos apenas imitar a conduta dos demais. Quando nos damos conta, estamos enredados nas teias tramadas por golpistas e especuladores.

A defesa que devemos desenvolver para que não caíamos em golpes e armadilhas financeiras é a capacidade de nos distanciarmos um pouco das emoções. Analisar a história para vermos que "esquemas" semelhantes já ocorreram no passado e perceber que toda bolha especulativa, mais cedo ou mais tarde, vai explodir. Devemos desenvolver a honestidade intelectual para analisar qual sentimento, emoção ou desejo nos leva a fazer certos negócios e, assim, aprender a nos defender das futuras crises financeiras que nos aguardam em algum momento do futuro.