Equoterapia: tratamento lúdico e eficaz

A equoterapia é um tratamento lúdico e eficaz. Capaz de promover o desenvolvimento físico e emocional de crianças com e sem deficiência. Adultos também podem se beneficiar. Muitas vezes, para garantir o tratamento, é preciso buscar socorro junto ao Poder Judiciário. A boa notícia é que a maioria dos Juízes é sensível a este tipo de demanda.

HISTÓRIAS DO DIREITO DINHEIRO BEM ESTAR

André Soares

6/2/2022 2 min read

A equoterapia é uma forma lúdica e eficiente para auxiliar no desenvolvimento físico e emocional de crianças. Pode-se fazer uma analogia entre o cavalo e as emoções. O cavalo, animal grande, simboliza a força e a potência das nossas emoções. Os nossos desejos e impulsos emocionais possuem uma força quase incontrolável. Em oposição a força das nossas emoções, à força do cavalo, existe a nossa fraqueza, a fragilidade do cavaleiro. O cavaleiro, na metáfora que estamos utilizando, é a nossa força de vontade. Quantas vezes, nos, adultos, não conseguimos resistir ao apelo de um doce ou de comportamentos que nos fazem mal. Quem já tentou, e não conseguiu parar de fumar, sabe bem do que estamos falando. Controlar os nossos desejos e impulsos é difícil. Se é assim para adultos, imagine como é para as crianças. A equoterapia, no sentido de que ensina a frágil criança a controlar o poderoso cavalo, é uma aliada no tratamento e na estimulação de crianças com síndrome de Down, Transtorno do Espectro Autista e paralisia cerebral. Também beneficia crianças com depressão e crianças com desenvolvimento típico.

A realidade social do país, que vive uma grave crise financeira, todavia, se torna uma grande barreira ao acesso a terapias como a equoterapia. O Poder Público oferece, quando oferece, poucas vagas para essa modalidade de terapia. Os planos de saúde, de seu turno, se recusam a arcar com os tratamentos e, quando arcam, querem impor um limite reduzido de sessões anuais.

A solução, para muitas famílias, é a de buscar o socorro do Poder Judiciário. A maioria dos Juízes, interpretando, ao nosso ver de forma correta a legislação, impõe as operadoras de saúde e ao Sistema Único de Saúde, o custeio da equoterapia e de outras modalidades alternativas de terapia. Existem diversos precedentes favoráveis na Justiça. É verdade, no entanto, que existem alguns poucos precedentes contrários.

Em geral, os Juízes que decidem contra as crianças, se valem do argumento de que as limitações do número de coberturas visam garantir a sustentabilidade dos planos de saúde e que não se pode impor a cobertura de todo e qualquer tratamento ao SUS, pois os recursos são escassos. As decisões, conquanto possam parecer lógicas, ignoram a realidade social.

Os planos de saúde, e o Estado, fazem uma espécie de terrorismo midiático. Dizem que as decisões judiciais irão levar os planos de saúde à falência e trarão o caos sanitário ao País. Juízes mais ingênuos se impressionam com o argumento. A realidade, no entanto, é que as operadoras de saúde, mesmo durante o aumento de gastos provocados pela pandemia, experimentaram lucros astronômicos.

Juízes mais ingênuos se impressionam com a narrativa alarmista das operadoras de saúde e dos gestores de SUS. Esquecem que o mal que assola o SUS é a corrupção, e não os doentes. Se não houvesse tanto roubo de dinheiro público, todos teriam tratamento digno. O mal que atinge a saúde suplementar é a ganância das operadoras, ou sendo mais específico, dos acionistas das operadoras.

Felizmente, a maioria dos Juízes brasileiros mantém os pés fincados na realidade. Por isso, exortamos aos pais de crianças com e sem deficiência, a conhecer os tratamentos com equoterapia. Caso não possam arcar com a estimulação com recursos próprios, não pensem duas vezes. Busquem a Justiça. Procurem advogados ou a defensoria pública para garantir o acesso a um tratamento lúdico e eficiente.