Estudo testa uso de canabidiol contra o crack

Estudo testa uso de canabidiol contra o crack

29 de agosto de 2019 0 Por Saber Melhor

BRASÍLIA – Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Brasília (UnB) vai avaliar se o canabidiol, uma das substâncias presentes na maconha, é eficaz no tratamento de dependentes de crack. Liderado pela professora Andrea Gallassi, o trabalho vai comparar o método convencional, feito a partir de uma associação de medicamentos, com o óleo formulado a partir da planta. 

Andrea conta que as opções terapêuticas hoje são limitadas para usuários de crack. Não há uma droga específica para controlar as crises de abstinência. A alternativa encontrada é associar alguns medicamentos.

A ideia de testar o canabidiol surgiu com base na constatação dos efeitos terapêuticos da substância, apontados em alguns estudos. Andrea observa que o canabidiol, usado geralmente na forma de óleo, vem sendo bastante pesquisado. Vários trabalhos mostram que tem efeitos positivos para reduzir a compulsão, melhorar a insônia e a ansiedade – todos problemas identificados entre usuários de crack.

A ideia é que a terapia auxilie o paciente a interromper ou reduzir de forma importante o uso do crack. Hoje, trabalhos indicam que a substância é eficaz para controlar convulsões em pessoas que não respondem a tratamentos convencionais. E já vem sendo usada no País, sobretudo entre crianças. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, desde 2015, 7.198 autorizações de importação da substância para pacientes que obtiveram indicação do tratamento.

Importação

Andrea também obteve autorização para importar o óleo que será usado no estudo. A pesquisa será feita com 80 pacientes. Metade usará o canabidiol e metade receberá o tratamento convencional. Nem pesquisador nem paciente saberá qual o tratamento será ofertado. A informação será dada apenas no fim da pesquisa, já para a análise dos resultados. 

Além da medicação, todos receberão um acompanhamento multidisciplinar. A pesquisa terá duração de dois meses. Ao longo do acompanhamento, os pacientes farão testes para identificar a presença de traços de algumas drogas no organismo. O recurso será usado para verificar se os relatos do paciente coincidem com os exames. Esta é a segunda pesquisa no mundo realizada para avaliar o impacto do uso do canabidiol entre dependentes de crack. A professora acha que o trabalho pode ter resultados promissores.

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