Não se deixe enganar pela emoção de ganhos repentinos

A dona de um cabaré em Minas Gerais foi do inferno ao céu e voltou ao inferno em pouco tempo. Se tivesse seguido o conselho que é dado no texto, não teria perdido quase tudo.

COMPORTAMENTO RESPONSABILIDADE PESSOAL APROVAÇÃO SOCIAL

André Soares

4/14/2022 3 min read

Em Patos de Minas, Minas Gerais, há alguns anos, a dona de um cabaré ganhou em uma loteria. Uma verdadeira e repentina fortuna. Perdeu tudo ou quase tudo, alguns anos depois. Não é uma história incomum. Existem milhares de relatos, em todo o mundo, de pessoas que se tornaram riquíssimas da noite para o dia e depois perderam tudo. A forma com que ela perdeu tudo é uma grande lição.

Ganhos repentinos podem ser bem perigosos. Em momentos de excitação, o cérebro recebe diversas substâncias químicas que provocam excitação e energia. A sensação de alegria e felicidade é intensa. Sempre vamos querer repetir a dose. É assim que nascem os vícios e os comportamentos maníacos. Queremos repetir aquele ganho financeiro, a atenção social que recebemos e buscar recompensas imediatas, cada vez mais intensas. Essa experiência de pico, a qual buscamos repetir, levou a dona de um cabaré à ruina.

A dona do cabaré em Patos de Minas - MG

A experiência de pico não foi ganhar na loteria. Do dia para a noite, sozinha, ganhou uma fortuna na loteria. A experiência de pico, no entanto, não foi ter-se tornado milionária. O que aconteceu após "enricar" foi o fator determinante para que perdesse quase tudo.

Em uma cidade pequena, a dona do cabaré é uma pessoa conhecida e, à luz do dia, altamente desprezada. A sociedade, pelo menos publicamente, repudia o comportamento das "meretrizes". Ninguém, na presença da sociedade, conversa com "puta", especialmente, com "puta pobre". Mas, agora, ela era uma mulher rica, uma das pessoas mais ricas da cidade e passou a ser aceita. O preconceito foi apagado. A família passou a ter orgulho dela. Os parentes passaram a respeitar e demonstrar sinais de afeição. Já não se referiam a ela como prostituta, mas como empresária de sucesso. A atenção e carinho que passou a receber a seduziram, fizeram com que ela, cada vez mais, quisesse a validação social. Finalmente, se sentia como pertencente à família e à sociedade.

Dizem que gentileza gera gentileza. Ela passou a receber tantas gentilezas, tanto carinho e amor, que, logo, passou a retribuir as gentilezas. Para um parente, deu um caminhão, para outro, uma carreta. Para um tio distante, comprou um apartamento. Quanto mais gentilezas e aceitação social ela recebia, mas ela agraciava os seus benfeitores com presentes. Não é preciso muito esforço para entender que o dinheiro acabou e, junto com o dinheiro, as gentilezas e aceitação social foram embora. Na verdade, ela acordou um pouco antes do dinheiro acabar por completo. Sobrou um pouco. Ela se viu obrigada a abrir um novo cabaré. Um pouco mais sofisticado do que o primeiro, mas, ainda, um cabaré.

Efeito viciante

Como se defender de ganhos repentinos

O ganho repentino, de dinheiro, aceitação social ou qualquer outra "coisa" que gere ganhos repentinos é viciante. Esse efeito é facilmente visto nos jogadores compulsivos. Ganham algum valor, mas, na sequência, perdem tudo. A ganância não é pelo dinheiro, mas pela sensação da vitória.

As bolhas especulativas, que levam pessoas tidas por sensatas a cair em golpes da pirâmide só podem ser explicadas pelo efeito viciante das substâncias químicas que o corpo libera e inundam o cérebro nos momentos de pico, de euforia e de vitória. Se todos estão ganhando, não posso ficar de fora, é o que pensam as vítimas dos esquemas montados por estelionatários.

A solução é bem simples. sempre que tiver uma vitória repentina (vale para derrotas também), algo que produza uma transformação radical da sua vida, é hora de dar um passo atrás e analisar a situação com a ótica da razão. Tenha, sempre, muito cuidado com a atenção e o cuidado repentino, pois, raramente, são construídos tendo por base algo duradouro. E a queda, destas experiências de pico, costuma ser bem dolorida.

Nos bingos das Igrejas, a cada pedra sorteada, as emoções vão à flor da pele. Não importa o prêmio. Cada pedra sorteada e que encontra correspondente na sua cartela, permite antecipar o gosto da vitória. Em dado momento, falta apenas um número, na cartela do vizinho. Começamos a torcer contra os nossos amigos. Precisamos ganhar. E, o vencedor, ao ouvir o número que o permite gritar BINGO, comemora como se fosse alucinado. Os amigos, convertidos em adversários momentâneos, torcem para que o ganhador tenha conferido errado. Rirão estupefatos, se o erro for constatado, ainda que o seu amigo sinta-se humilhado. O que faz dos bingos algo tão popular? Por que algumas atividades, especialmente aqueles em que podemos vencer algo, são tão atrativas, prazeirosas e perigosas , tudo ao mesmo tempo? Veremos, daqui a pouco, a fantástica história da dona de um Cabaré em Minas Gerais.