JURISTAS: efeitos de separações traumáticas dos anos 80 nos pais de hoje

JURISTAS: efeitos de separações traumáticas dos anos 80 nos pais de hoje

13 de outubro de 2019 0 Por Saber Melhor

Crianças que se sentem abandonadas pelos pais, tendem a criar padrões de comportamento de abandono na vida adulta, sem nem perceber as razões do comportamento que adotam. O ideal é que o ambiente familiar propicie estruturas que permitam o desenvolvimento infantil. Infelizmente, isso nem sempre é possível, conforme se percebe da análise de inúmeros processos de divórcio envolvendo a guarda de crianças.

Comportamento racional e irracional

Quando o núcleo parental se dissolve, mas a racionalidade é preservada, os pais procuram calcular e minimizar os efeitos de longo prazo que a criança sofrerá com o rompimento conjugal. Quando, ao contrário, a irracionalidade se faz dominante, as crianças sentem os efeitos nefastos das brigas e discordâncias.

O desejo de vingança e de causar danos ao outro integrante do par parental transformam a criança em uma arma contra o outro. A criança se torna a maior vítima do atrito parental. Na vida adulta, a criança-vítima, tende a perpetuar o padrão de comportamento. É o que costuma acontecer, por exemplo, nos casos mais graves, em que a violência alcança a natureza sexual. Crianças sexualmente abusadas tendem a repetir, de alguma forma, o abuso.

Reflexos dos conflitos familiares do passado recente

Hoje em dia, a imaturidade parental parece estar ganhando proporções cada vez maiores. A explicação pode estar nos traumas das rupturas conjugais dos anos 80 em diante. Desde 1977, com a Lei do Divórcio, as separações se tornaram mais comuns. As rupturas, como continuam sendo hoje, possuíam um alto grau de conflitualidade. A diferença é que a preocupação com a saúde mental e psicológica dos filhos era bem menor do que era hoje.

Os pais de hoje são os filhos dos anos 80 e 90. Muitos deles viveram experiências traumáticas quando da separação dos pais e hoje, sem que tenham plena consciência, repetem padrões de comportamento que vivenciaram quando eram crianças.

O que fazer diante da realidade

Essa constatação, fruto da experiência pessoal e profissional de muitos, deve ser levada em conta por profissionais da área de psicologia e, sobretudo, do direito. Muitos dos comportamentos belicosos e traumáticos que afloram nos processos de ruptura conjugal e de guarda de crianças da atualidade possuem origem na infância dos que hoje litigam como pais.

É preciso que os profissionais do direito se apoderem de tal realidade, para que possam contribuir para a pacificação social e equilíbrio emocional dos adultos que hoje são crianças em formação. Descobrindo a gênese dos conflitos, talvez seja possível matar o mal pela raiz.

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