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O dia em que a síndrome de Down entrou em nossas vidas

A vida floresce em qualquer circunstância
Por Saber
|20 de abril de 2020|

A síndrome de Down aconteceu sem qualquer aviso prévio ou sem qualquer preparação. Tínhamos 02 filhas. Nada de diferente ou de pouco usual com elas. Esperávamos um menino e fazíamos os exames de rotina. Em um ultrassom, um médico avisou que havia alta probabilidade de nascimento com a Trissomia do cromossomo 21. Poucos segundos após a notícia, o médico fez algo absurdo e insensível.

O exame era rotina. Ninguém esperava a desconstrução dos planos que tínhamos para aquele bebê. A preocupação era, à época, com a compra do berço, das roupas, do enxoval e com a decoração do quarto. Síndrome de Down era algo tão distante dos nossos pensamentos, que a ficha demorou um pouco a cair.

Parecia aquelas cenas de filme, em que tudo corre em câmera lenta. O que vamos descrever, embora tenha parecido ter se desenvolvido durante horas, aconteceu em menos de 02 minutos.

O médico, sentado em frente a um computador, enquanto esperávamos que ele confirmasse o sexo da criança. Nos foi dito que era um menino. Mas, antes de processarmos a informação, ele disse que havia chances de “um grande problema”. Que um outro exame poderia confirmar “o problema”. Foi a primeira vez que a expressão síndrome de Down entrou em nossas vidas.

Perguntamos qual a utilidade do novo exame. Ainda não tínhamos noção do que era a síndrome de Down e queríamos saber se a criança, se nosso filho, corria risco de vida.

O médico nos disse que a maior utilidade do exame é que confirmada a síndrome de Down, poderíamos resolver “o problema”. Sem conseguir processar as informações, perguntamos se o nosso filho corria risco de vida. Perguntamos se resolver “o problema” era realizar alguma cirurgia, ainda no ventre, para o salvar.

O médico logo esclareceu. Resolver “o problema da síndrome de Down” não era salvar o bebê. Pelo contrário, era o eliminar, era recorrer ao aborto.

Entre nós e o médico havia uma mesa. Em cima da mesa, alguns papéis, formulários de receituário, um porta-retratos com a fotografia dos filhos do médico e uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Nada parecia fazer muito sentido. A síndrome de Down, a proposta de matarmos o nosso filho, a imagem sacra, a foto da família…atônitos, enquanto respirávamos, o Doutor falava sobre cruzeiros, navios de luxo, que realizavam o procedimento em alto-mar, para driblar as leis brasileiras.

Já havíamos ouvido bastante e saímos. Tudo não levou sequer 02 (dois) minutos, mas pareceu uma eternidade. Foi assim que a síndrome de Down entrou em nossas vidas.

Passados quase 10 anos. Ter dito àquele médico que o aborto NÃO era uma opção foi uma das decisões mais acertadas que já tomamos em nossas vidas. E, para contar essa e outras inúmeras histórias, foi criado o site Saber Melhor. Junte-se as nossas redes sociais e venha saber um pouco mais sobre a síndrome de Down e outros assuntos.

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