Quem o controla, a razão ou a emoção?

Nunca fomos tão escravos das nossas emoções como somos atualmente. Precisamos domar a nossa natureza, para que possamos viver de forma mais plena.

RACIONALIDADE

André Soares

4/12/2022 2 min read

Durante a nossa vida, inevitavelmente, teremos que lidar com pessoas, problemas e pessoas que são problemas. Chefes, líderes, colegas de trabalho ou nossa própria personalidade. E muitas vezes reagimos de forma irracional, até violenta. Depois, perguntamos: “o que deu em mim?”. A verdade, se formos honestos, temos que reconhecer, é que somos governados pelas nossas emoções. Se entendermos verdadeiramente as raízes do nosso comportamento, seria mais difícil para indivíduos e situações desconfortáveis nos incomodar na forma que incomodam. E a ausência de conhecimento sobre a nossa própria natureza traz consequências na vida afetiva, nos negócios que desenvolvemos e interferem até na forma com que lidamos com questões jurídicas.

Consideremos, por exemplo, a raiva. Em processos judiciais, especialmente em casos envolvendo direito de família ou desavenças societárias, as pessoas tendem a adotar comportamentos que são contrários aos próprios interesses. Deixam que a emoção causada pela raiva, interfira em decisões que são técnicas.

Situações que aconteceram

Um homem, herdeiro de vários imóveis, com vasto patrimônio, foi expulso de casa pela mulher. Ele tem uma criança em comum. Ele, movido pelo sentimento de apego excessivo aos bens, pretendia deixar a esposa e a criança com “uma mão na frente e a outra atrás”. As propostas de acordo que fez eram absurdas. Poderia ter resolvido tudo amigavelmente, mas a raiva o cegou e dominou. O resultado, partindo para o litígio, já gastou mais do que teria gastado com um acordo.

Em outro caso, também movido pela raiva, um homem cancelou o plano de saúde da ex-esposa, fazendo com que ela perdesse o direito de exercer a portabilidade e que perdesse as carências que já havia cumprido. A Justiça o obrigou a contratar outro plano de saúde em favor dela. Nas circunstâncias do processo, deve ser condenado a indenizar por danos morais. A atitude tomada na raiva custará muito mais do que 10 anos do plano de saúde que cancelou.

Milhares de outros exemplos poderiam ser mencionados. Em todos, a constatação comum é de que somos altamente suscetíveis aos ânimos e emoções das pessoas e circunstâncias que nos cercam. Somos dominados pelas nossas emoções e deixamos de usar o nosso maior poder: o de pensar, tomar decisões conscientes.

O que esperar dos serviços que procuramos

Na experiência acumulada em processos judiciais, especialmente em direito de família, é visível que a ausência de entendimento, por parte dos advogados e juízes, das raízes profundas das questões leva a soluções insatisfatórias. Mais do que aplicação fria de preceitos jurídicos, é preciso que se entenda a motivação visceral das pessoas.

Idêntica falha se percebe na área de saúde. Médicos e terapeutas conseguem identificar sintomas e causas das doenças. Propõe tratamentos, mas desconsideram a natureza e motivações dos pacientes. Ao desconsiderar os aspectos emocionais do paciente, estes não aderem aos tratamentos.

No comércio em geral, a diferença entre as empresas que fazem sucesso e progridem com aquelas que naufragam, é o nível de compreensão do comerciante e do empresário em relação as nuances emocionais e motivacionais dos seus clientes e consumidores.