Você precisa ler: Office boy, de 16 anos, negro, é injustamente chamado de ladrão e ainda leva uma surra de segurança de loja. O final da história é surpreendente.

Você precisa ler: Office boy, de 16 anos, negro, é injustamente chamado de ladrão e ainda leva uma surra de segurança de loja. O final da história é surpreendente.

6 de agosto de 2019 0 Por Saber Melhor

O preconceito não existe no Brasil. Somos uma nação que respeita todos. Todos são iguais. Infelizmente as frases estão muito longe da verdade. As pessoas são julgadas pela cor da pele. Pelas roupas. Um caso absurdo aconteceu em um Shopping em Brasília. Convidamos o leitor a não se indignar, caso consiga. 

Um rapaz trabalha como Office Boy em uma corretora. O chefe pediu que fosse a uma loja de departamentos para comprar um protetor solar. A loja fica localizada em um Shopping no coração de Brasília. O rapaz tinha em suas mãos uma sacola contendo o nome do produto que deveria comprar e um aparelho de surdez que havia buscado, a pedido do chefe, em uma outra loja. A marca pedida pelo chefe estava em falta. Guardou o papel e foi embora. 

Era para ser um dia qualquer. Não foi. O segurança da loja de departamento o abordou. O acusou de furto. O rapaz foi humilhado. Exposto à curiosidade dos passantes. Negou a acusação. Não havia roubado. Ao invés de pedir desculpas, o segurança prosseguiu humilhando o rapaz. Ao sair do local, o segurança passou a seguir o Office Boy e o chamava de “ladrão”. Gritava e dizia: “se eu pegar você roubando aqui você vai ver”.

Indignado, o rapaz teve a reação que qualquer um teria. Insultou o segurança. A reação foi imediata. O segurança “gentilmente” o empurrou no peito e, ainda mais “gentilmente” desferiu um soco no rosto do Office Boy. O segurança do Shopping a tudo assistiu.

As Lojas Americanas afirmaram que tudo agiu dentro da lei. O Shopping disse que a pessoa que assistiu o acontecido sem nada fazer não era um de seus seguranças. O segurança da empresa afirmou que apenas reagiu às agressões verbais do menor. Alegou legítima defesa e exercício regular de direito.

Aos autos foram juntadas as gravações realizadas pelo sistema de segurança. A ação de indenização contra o Shopping foi julgada improcedente, pois não havia prova de que a pessoa que assistiu a cena era seu segurança. Além disso, os brigadistas que separaram a briga foram essenciais para impedir que o rapaz sofresse maiores agressões. A Lojas Americanas condenada a indenizar o rapaz em noventa mil reais. O segurança também.

A empresa e o segurança recorreram contra a sentença. Disseram que os fatos não aconteceram por causa da cor da pele do rapaz. Você, leitor, consegue adivinhar a cor da pele do rapaz? Se disse branco do olho azul, amarelo do olho puxado ou branco de cabelo liso, errou feio.

O rapaz é negro. Surpreso?

A Desembargadora Carmelita Brasil, ao julgar a apelação, disse que as imagens mostram que o rapaz falou a verdade. A indenização foi reduzida para o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

Apesar da redução, a decisão é um primor jurídico. Merece ser lida por todos os operadores do direito. O acórdão 1190036, da 2ª Turma Cível, rompe o paradigma da impunidade. O rapaz agredido foi taxado como ladrão por ser negro. Na época tinha 16 anos de idade. Personalidade em formação. As agressões fizeram com que desenvolvesse doença dermatológica autoimune.  

Uma condenação efetiva e exemplar fará com que as empresas treinem melhor os seus seguranças. 

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Não será apenas a demonstração de indignação com a violência e racismo sofrida pelo rapaz. O benefício que você terá ao compartilhar será o de ajudar na construção de uma sociedade em que as pessoas não sejam julgadas, agredidas, humilhadas e escarnecidas pelo fato de serem pobres e negras.

A decisão foi unânime. Ainda participaram do julgamento os Desembargadores César LoyolaSandra Reves.

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