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Você sabe o que é gaslighting?

Gaslighting
Por Saber
|5 de julho de 2020|

Mulher de classe alta. Durante anos submetida a um relacionamento abusivo. Marido mantinha relações sexuais com as empregadas. A ofendia. Chamava-a de “puta”, “safada”, “vagabunda” etc. Obrigava-a a dormir no chão. Violência física era constante. Realizava o que hoje se chama “gaslighting”. O marido controlava até a alimentação, fazendo-a crer que se parecia com uma “porca gorda”. O agressor incutia na mente da vítima que ela estava enlouquecendo, que ela causava a violência doméstica contra si. Enquanto isso acontece no interior da residência, o marido, hipócrita, rico e influente, muitas vezes levanta bandeiras contra a violência doméstica.

Logo após romper as amarras do relacionamento abusivo, a vítima foi submetida a exame psicossocial. A perícia indicou “humor oscilante associado a crises de choro”. Devido ao quadro de violência doméstica, foi diagnosticada com “Transtorno Depressivo recorrente e Ciclotimia” (uma espécie de bipolaridade do humor). Episódios de pesadelos e insônia, associados a falta de ânimo eram recorrentes. Não raras vezes sofreu violência sexual praticada pelo marido abusador.

Gaslight é um termo derivado de um trailer psicológico de 1944, adaptado da peça “Gas Light”, produzida em 1938, por Patrick Hamilton, sobre uma mulher cujo marido a manipulava sutilmente para que ela pensasse que estava se tornando insana. O filme foi indicado para diversas premiações. Em 2019, o filme foi selecionado pela “National Film Registry” da livraria do Congresso americano como sendo culturalmente, historicamente e esteticamente significante.

O termo é utilizado desde 1938 e se tornou popular, para representar situações como as vividas pelas vítimas de violência doméstica. É assustador como tal situação é comum, ainda em 2020. Muito há que se feito no combate à violência doméstica, especialmente quando o agressor é uma personalidade do mundo jurídico, político ou cultural.

Quando o agressor é rico, influente e pode arcar com os custos dos advogados mais caros do país, a prática do “gaslighting” é um crime que costuma ficar impune.

Quase todas as vezes que a violência doméstica é cometida por políticos, defensores dos direitos humanos, personalidades do mundo pop, a mulher é revitimizada também pelo poderio político e econômico. Punir a violência doméstica, quando cometida por ricos, ainda é um tabu que precisa ser quebrado. É importante que a palavra da vítima, de fato, seja valorizada. O Poder Judiciário, em especial, não pode se vergar aos poderosos.

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