Um pesquisador brasileiro da área oncológica obteve recentemente a aprovação do visto EB1-A — uma das categorias mais seletivas da imigração dos Estados Unidos — com base em sua trajetória científica e contribuições originais no rastreamento, diagnóstico e tratamento do câncer. O processo, patrocinado pela Ricci Law Immigration, evidencia uma tendência que tem se acentuado nos últimos anos: o êxodo de talentos brasileiros altamente qualificados em busca de condições mais favoráveis à pesquisa e ao desenvolvimento científico.
Segundo consta na petição, redigida pela advogada Viviane Ricci, o beneficiário apresentou “evidência documental robusta de que desenvolveu métodos diagnósticos e terapêuticos originais, com base em biomarcadores, que estão sendo incorporados em protocolos médicos e pesquisas internacionais com impacto direto sobre a prática oncológica contemporânea.”
O EB1-A, popularmente conhecido como “visto do gênio”, exige comprovações rigorosas de aclamação sustentada e contribuições de importância significativa para a área de atuação. A documentação do caso incluiu artigos científicos publicados, participação em comissões julgadoras de pesquisa e atuação em projetos internacionais com aplicação clínica comprovada.
A aprovação foi concedida com base em múltiplos critérios regulatórios, entre eles:
- Contribuições originais de relevância reconhecida;
- Participação como juiz do trabalho de outros profissionais da área;
- Publicações científicas de alto impacto;
- Atuação de liderança em centros de pesquisa e hospitais.
A petição também destacou a perspectiva de benefício direto aos Estados Unidos, afirmando que o pesquisador “trará valor imediato e mensurável ao ambiente clínico e científico norte-americano, especialmente em programas voltados detecção precoce e personalização de terapias oncológicas.”
Um caminho técnico, mas viável
Embora a obtenção do EB1-A seja altamente exigente, a Ricci Law Immigration, responsável por dezenas de aprovações na área científica, observa um crescimento no número de brasileiros elegíveis. A própria petição sustenta que “a política migratória dos Estados Unidos se baseia no princípio de reciprocidade: reconhece e acolhe aqueles que demonstram, com provas concretas, que seu trabalho contribui substancialmente com os interesses nacionais”.
O escritório, fundado e liderado pela advogada Viviane Ricci, que explica: “Cada caso é estruturado como uma argumentação jurídica integrada à narrativa científica do profissional. O objetivo é que o oficial leia, compreenda e reconheça o valor do candidato não apenas como um cientista, mas como um ativo estratégico para o país”, afirma Ricci, segundo os autos.
Desigualdade estrutural entre países
O processo aprovado lança luz sobre uma realidade recorrente. Apesar do prestígio científico internacional de diversos profissionais brasileiros, muitos deles encontram obstáculos no Brasil para desenvolver seus projetos: falta de financiamento, burocracia institucional e instabilidade nas políticas públicas de ciência e tecnologia. Com isso, pesquisadores de ponta veem nos vistos EB1-A e EB2-NIW uma alternativa legal e estruturada para migrar, continuar sua produção científica e expandir seu impacto global.
Segundo relatório recente da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil figura entre os países que mais perdem talentos acadêmicos para o exterior. Estados Unidos, Canadá, Alemanha e França são os principais destinos, graças a políticas consistentes de fomento à inovação e valorização da pesquisa aplicada.
A própria petição do caso aprovado alerta que “não se trata apenas de acolher talentos estrangeiros, mas de oferecer condições reais para que ideias, soluções e descobertas possam florescer sem entraves logísticos, políticos ou institucionais.”
Migração científica: solução individual, dilema coletivo
O êxito do processo é, ao mesmo tempo, um testemunho da excelência profissional brasileira e um sintoma das limitações internas do país. A migração científica segue como uma resposta legítima e legal à falta de incentivo doméstico. Mas também impõe um desafio estrutural: como evitar que o Brasil continue formando mentes brilhantes apenas para vê-las partir?
Enquanto essa resposta ainda não foi encontrada, os Estados Unidos seguem abrindo as portas — com exigência, sim, mas também com clareza jurídica, estrutura e reconhecimento.
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